Eles também estão inseguros

Para os jovens, atualmente, viver o momento de passagem, da infância à idade adulta, é incerto e complexo. Mais ainda quando o assunto é a realidade em que vivem e a questão da segurança.

Pesquisas apontam que eles têm tanto medo quanto você

Uma pesquisa do IRBEM (Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município) da Rede Nossa São Paulo, indica que 61% da população infanto-juvenil da capital tem receio de se tornar vítima da criminalidade. O medo das crianças e adolescentes se aproxima do índice de 66% da população adulta que também teme assaltos e roubos, segundo números do IRBEM apresentados no início do ano.

Os jovens afirmam ter medo de acontecer alguma coisa a qualquer momento e acreditam que a educação é a única coisa que pode mudar o cenário de violência do país. Um a cada cinco jovens também afirmou ter “medo da polícia”. Entre os entrevistados, 61% disseram ter medo de assalto, 56% da violência em geral, 33% do tráfico de drogas e 21% de “sair à noite”.

Conversar e expor possibilidades pode trazer conforto

Segundo Mário Corso, psicanalista, os jovens encolheram seu mundo por causa da violência. Andam apenas em circuitos conhecidos, arriscam menos, pois os riscos são grandes. Isso traz um empobrecimento, pois eles acabam vivendo apenas entre os iguais e pouco conhecem até do seu próprio bairro.

“Estamos nos acostumando a viver cada vez mais dentro de casa. A rua, antes um lugar de prazer, virou um lugar hostil. É dramático, sobretudo para os jovens, afinal tem menos dinheiro para carros, táxis, ônibus, para ir de um lugar seguro a outro. Perdemos o hábito das grandes caminhadas sem rumo, apenas para explorar a cidade”, afirma o especialista.

É interessante entender que seu filho pode estar tão inseguro quanto você. E provavelmente, por conta disso, está aberto às suas orientações, ferramentas ou qualquer recurso para se sentir mais protegido, sem que para isso seja preciso abrir mão das suas vivências.

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